Propagação
vertical?
Por Miguel Angelo
Conceição Medeiros – PU3XPG
Pode
parecer a principio uma colocação meio estranha, mas é um termo que costumo
utilizar.
Geralmente associo a
outro comentário, propagação abriu na horizontal, fechou na vertical, com
certeza mais estranho ainda.
No caso acima a
referência que faço são aos satélites meteorológicos de baixa órbita ou
LEO.
Mas explico!
-Em uma comunicação
via satélite predominam atenuações muito fortes e várias vezes com atrasos do
sinal. Atrelado a estás condições ainda temos o efeito Doppler.
Os atrasos para os
nossos propósitos não são significativos, ficando na ordem de 0,01 a 0,005
segundos, mas que para comunicações comerciais e científicas podem ser
representativos.
Outros fatores também
são determinantes nesta comunicação, angulo do satélite, condições geográficas
da estação de terra, footprint, antenas, receptor e fatores ambientais físicos
como prédios, linhas de transmissão elétrica e um que considero bem importante,
o fator meteorológico.
Outros fatores talvez
até possam ser acrescidos, mas acho que não tem relevância no momento.
Dentre os vários
itens que consideramos para o sucesso de um QSO, com certeza a propagação talvez
seja um dos mais importantes.
A propagação depende
da dinâmica meteorológica, seja ela terrestre ou espacial. Está variação das
condições climatológicas são determinadas por vários fatores como pressão
atmosférica, temperatura do ar, ventos, latitude, movimentos das massas de ar,
etc...
Discernir aqui sobre
as variáveis meteorológicas sua representatividade na propagação e a modelagem
da propagação demanda um sem número de cálculos matemáticos para um resultado
eficaz. Não é essa minha pretensão, visto que também não sou nenhum expert no
assunto.
O que proponho é a
simples observação do que vulgarmente chamo de propagação vertical e propagação
horizontal.
Ao longo do tempo que
venho me dedicando a recepção de imagens de satélites meteorológicos, isto
remonta ao final de ano de 1994, observo severa deterioração na qualidade da
imagem recebida quando as condições meteorológicas proporcionam aberturas de
propagação em VHF. O sinal do satélite sofre um desvanecimento tanto maior
quanto maior a abertura da propagação que chamo agora vulgarmente de
horizontal.
O inverso é real,
quando existem períodos de propagação fechada ou as condições normais em VHF, à
imagem recebida tem uma melhora sensível na qualidade.
Aqui em GF37vv, pela
latitude em questão, os melhores períodos são entre o início do outono e o final
da primavera. Intervalos meteorológicos com baixa temperatura, pressão
atmosférica elevada são excelentes para recepção das imagens. Em decorrência
destas condições temos os ventos de oeste para sul.
Estes são períodos
que a propagação não é ideal em VHF. Vejam que não entro em detalhes quanto ao
tipo de propagação, pelo que observei até agora a exceção fica por conta da
transequatorial.
O ponto de observação
ficou no VHF, visto que a recepção dos satélites meteorológicos ocorre no
segmento de 137 MHz.
A idéia da observação
destas variações é vislumbrar efeitos semelhantes nos comunicados via satélites
de radioamador.
Observações deste
tipo já foram observadas pelo Colossi (PY3DU) na utilização do FO-29, se não me
falha a memória.
Alguns pontos sobre a
atmosfera talvez devessem ser abordados, principalmente no que trata das camadas
da ionosfera.
Mas como é apenas uma
idéia da observação de um fenômeno e não um trabalho com cunho cientifico, deixo
a pesquisa para os Handbooks e as diversas páginas sobre propagação que são
encontradas na rede.
Resumindo:
- observo severa
deterioração na qualidade das imagens dos satélites meteorológicos quando
existem períodos de propagação favorável ao VHF.
- observo excelente
qualidade das imagens dos satélites meteorológicos quando não existem períodos
de propagação favorável ao VHF.
Pergunto:
- observação
semelhante já foi realizada nos contatos por satélites de radioamador, além da
que o Colossi me repassou?
73,
Miguel – PU3XPG
GF37vv
http://pu3xpg.dmc.furg.br
http://pu3xpg.dmc.furg.br/rotor
Rio Grande – RS, 06 de abril de
2005.