YAGI DE ALTO GANHO PARA SATÉLITES DE
ÓRBITA ALTA OU EME
Por Cianus Luis Colossi, PY3DU
Esta antena
foi idealizada para uso no AO-40. A primeira versão com uma só polarização,
foi utilizada com bastante sucesso nos QSOs via AO-40, com 10 watts de Uplinck
em CW e alguns em SSB.
Outro ponto,
e o mais relevante deste projeto, é a utilização de elementos isolados da gôndola.
Não que isto seja novidade, pois é assunto por demais abordado entre os
DXISTAS de VHF para cima, mas o
INTERESSANTE são os elementos feitos em FIO DE ALUMÍNIO, destes
utilizados em instalações elétricas rurais o que faz este projeto tornar-se
muito econômico e de fácil duplicação!
Para os satélites
de órbita baixa, pode-se simplesmente montar até uns quatro elementos (2
diretores). É claro com drástica redução de ganho, mas com
diagrama “ mais aberto” o que facilita o apontamento, principalmente
daqueles que não possuem sistemas automáticos de rastreamento.
Ainda assim,
da para ir se preparando para o EAGLE em futuro próximo, ou quem sabe
utilizando-se umas 6 destas e alguns watinhos a mais, tentar contatos via reflexão
lunar!!!
Um dos
problemas para a recepção de sinais de satélite é o fato de o mesmo descer
“girando”!
Assim se você
estiver utilizando uma Yagi polarizada somente horizontal ou verticalmente,
haverá momentos em que não se escutará os sinais oriundo do mesmo, em virtude
do “ desencontro” de polarização.
Para tentar
amenizar este “silêncio” podemos operar com duas antenas, uma em cada
polarização. No caso, em se utilizando Yagis, utilizaremos duas defasadas em
90 graus, o que equivale a uma defasem elétrica de ¼ de onda, o que reduz
sensivelmente a interação ou a mútua entre ambas as antenas.
Note-se que
para se obter uma recepção com polarização CIRCULAR devemos utilizar antenas
do tipo HÉLICE, ou HELICOIDAIS, como são conhecidas.
No nosso caso
em se tratando de Yagis cruzadas, teremos, digamos um “chaveamento” dos
sinais hora horizontais, hora verticais. Haverá ainda, mesmo que por fração
de segundos, pequenos lapsos de sinal, porém desprezíveis.
Cabe-se
salientar que apesar de serem as antenas tipo helicoidais as realmente indicadas
para as comunicações espaciais via satélites, são ainda as Yagis mais amigáveis
em se tratando de tamanho e suporte mecânico. As helicoidais por sua vez
para as freqüências mais baixas, muito grandes e desajeitadas.
A nossa
antena, toma por base o padrão desenvolvido pelo alemão, Guenter Hoch, DL6WU e
utiliza o programa DL6WU.BAS (DOWNLOAD
AQUI) para fazer o cálculo de uma Yagi de 15 elementos, para UHF 432 mhz e
com elementos isolados da gôndola, além de um dipolo dobrado em cobre, casado
com balun 4:1, o que torna a mesma mais larga e de grande confiança.
A seqüência daqui para frente, é do tipo faça você mesmo, e precisa de poucas explicações, o que aliás vem a dismistificar a construção deste tipo de sistema irradiante. Desde que se sigam as medidas apresentadas ou se tenha o conhecimento suficiente para efetuar modificações.
Preste
atenção porém, nas medidas. Se for pedido
FIO 4 mm, use fio de 4 mm. Se o fio utilizado for de outra bitola ou se
for utilizar elementos NÃO ISOLADOS, deve-se recalcular todo o conjunto.
Vale comentar
que o primeiro diretor, imediatamente após o
DD, serve para casar a impedância do dipolo em relação ao conjunto,
neste caso em 200 ohms.
Então siga a
receita do bolo, que a satisfação será garantida!

Figura
1
Antes de mais nada, perfure a gôndola, utilizando uma
furadeira de bancada, para que os furos fiquem perfeitamente na vertical e
alinhados.

Figura
2

Figura 3
Desencape o fio utilizado e separe a capa, para utilizar
como sendo espaguete. Corte em pequenos pedaços com tamanho suficiente para
trespassar a gôndola de um lado a outro, como na figura 4.

Figura 4
Note que para facilitar o serviço, corta-se o extremo do
espaguete, em forma de cunha. Depois de telo trespassado, insere-se
cuidadosamente o elemento de alumínio.

Figura 5
Neste ponto já podemos estar de posse do DIPOLO DOBRADO,
feito em cano de cobre, tipo refrigeração com
6.22 mm de diâmetro, como na figura
6:

Figura 6
Neste caso estamos usando como isolador um, do tipo
comercial, para antenas de TV. Na falta deste, podemos fabricar um utilizando
cano de PVC branco, usado para água, mais resistente aos raios solares.

Figura 7
Nota-se no centro o chanfro feito para encaixar na gôndola
de 1 polegada.
O próximo passo é a
confecção do BALUN 4:1, figura 8 para o casamento de impedâncias entre o dipolo
dobrado com aproximadamente 200 ohms e o cabo coaxial de 50 ohms, para isto foi
utilizado um pedaço de cabo RG213-C, cujo fator de velocidade é dado em .9.
Assim temos balun = ½ onda x 0,9 sendo balun =
(300/435)/2*.9 = 31,03 cm de malha a malha, donde partirão os terminais
e a solda entre as malhas.

Figura 8
ATENÇÃO!!!
Faça a solda com muito cuidado, pois se tem de utilizar um
soldador ao redor de 100 watts, e se a solda não for feita com muita calma,
pode-se danificar o dielétrico do coaxial modificando a impedância e até
causando curto entre vivo e malhas.Cautela e paciência!
No próximo artigo, falaremos dos dipolos dobrados e do divisor ou spliter, que
pode ser feito de cabo coaxial ou sólido em tubo de alumínio e cobre. Até lá!!!