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Editorial do mês.

Avizinhados que somos do sentimento pátrio

Avizinhados que somos do sentimento pátrio, quando comemoramos a independência do Brasil enquanto libertos da Colônia Portuguesa, muitos de nossos pares radioamadores e entidades, ditas representativas comemoram democraticamente por meio de concursos e contestes a data máxima do sete de setembro.

No entanto, sabe-se lá o motivo, a sociedade em geral ainda comemora estes eventos de uma forma bitoladamente militaresca, aos moldes dos anos de chumbo e da guerra fria, onde a obrigatoriedade dos desfiles militares atinge a mocidade, obrigando os jovens das escolas públicas a fazerem parte desta encenação que no ensejo de comemorar a liberdade obriga fazer número, para que o mundo veja que (mesmo obrigados) fazemos parte do coro militar e seu armamento, dito ferramentas de paz.

Seguem assim, este modelo outros segmentos da sociedade em geral. Talvez como seqüela profunda, de um ferimento pouco cicatrizado; ainda tenhamos de conviver com a sombra.

fantasmagórica do autoritarismo inutilitário de um sem fim de autarquias e entidades.
 

Infelizmente depois de trinta anos de ditadura militar e passados outros poucos vinte anos da queda do regime, ainda restaram agonizantes modelos arcaicos, pra lá de ultrapassados.

Assim, na edição da revista QTC - revista técnica de rádio, que circulou no bimestre MARÇO/ABRIL de 1964 (ano do golpe), entre sócios e não sócios, podemos ler com todas as letras, conforme transcrito abaixo; que a LABRE em nome de TODOS os RADIOAMADORES BRASILEIROS, apoiava e tornava-se aliada do regime instaurado.

Sabe-se certamente que os 30 anos de ditadura, trouxeram ao Brasil 30 anos de atraso social, político e tecnológico. E em sendo nós radioamadores (teoricamente) senhores da tecnologia, exilamo-nos agrilhoados aos preceitos que trucidaram a nação durante este longo e tenebroso período de trevas.

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Leiam o texto abaixo e tirem suas próprias conclusões:
(cópia realizada a partir de leitura por OCR, da página posteriormente reproduzida digitalmente).


A Nação foi acudida por suas gloriosas forças Armadas, chamadas no momento em que a família brasileira pedia socorro para a asfixia de que estava ameaçada pela organização ideológica espúria que já nos estava avassalando.
A energia dos nossos valorosos defensores se fêz sentir em todos os quadrantes da Pátria, calando
a voz diabólica do terror.
Aos nobres propósitos dêsse movimento de socorro, uniram-se também os dos componentes da nossa RNR que nunca faltaram à Pá tria em todos os momentos, quando a sua atuação foi necessária, e, como Presidente Nacional do contingente dêsse abnegado grupo de patriotas da RNR, mais uma vez me sinto orgulhoso da conduta dos meus companheiros de todo o Brasil.
Algumas medidas de conveniência da Segurança Nacional têm sido tomadas pelas respectivas autoridades, não porque o radioama¬dor seja um suspeito ou capaz de um desserviço ao Brasil. Não. Absolutanente, não.
Bem ao contrário, reconhecem com justiça nossas altas autoridades o valor do radioamador como força organizada de comunicações, disciplinada, patriota e solicita, mas nem sempre poderá em de¬terminadas operações como elemento civil prevalecente, nos plane¬jamentos e recursos militares de momento aconselhados nessa ou na¬quela emergência, ter atuação irrestrita.
Por isso mesmo as altas autoridades têm, em determinados setôres, feito suspender a atividade do
radioamador, sem que isto importe no seu desprestígio ou na sua suspeição.
Ponderadas as razões, as mesmas autoridades que com tanto res¬peito nos reconhecem, liberam as áreas de radioamadores quando a sua alta sabedoria no esquema militar a tanto autorize. É o que tem ocorrido
A Presidência da LABRE está em contato íntimo com as altas au¬toridades do País, procurando com elas colaborar e ao mesmo tempo fazendo destacar o valor e a necessidade do radioamador nesses mo¬mentos que a tranqüilidade do Brasil precisa de comunicações.
Não é demais ‘recomendar, depois desse preâmbulo que todos os colegas que estiverem no ar auscultem sempre os seus Diretores Sec¬cionais e a LABRE FEDERAL e o mais importante é que nessa tran¬sição restrinjam os QTC’s de famílias ou recados de terceiros, para que muitas vezes a má interpretado dos que os escutam possa produzir motivo de averiguação ou suspeição sobre o radioamador.
Além disso, esses momentos ensejam o extravasamento de inimigos gratuitos, numa solerte vingança, denunciando inocentes ra¬dioamadores como comprometedores do sossêgo nacional.



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Cianus Luiz Colossi
PY3DU
Guaíba – RS